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A epifania em "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector

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Como é difícil falar de Clarice! Com sua forma sofisticada de escrever, ela nos conquista e nos transporta ao um mundo mágico, estranho......           Em "A Hora da Estrela" ela nos apresenta o mundo de Macabéa – ou melhor, a passividade dela. E como é monótona e angustiante a rotina da protagonista! Privada de pequenos prazeres da vida, a datilógrafa vive cheia de medos e submissões, deixando nós, como leitores (as) desconfortáveis ao decorrer da história.          Além disso, como a maioria dos escritos de Clarice, a narrativa tem um desenvolvimento psicológico com fluxos de consciência aproximando com noções existencialistas. Em paralelo a isto, encontramos com muita frequência a epifania nas suas obras.  Em “A hora da Estrela”, esse momento é realmente marcante, é o momento em Macabéa se encontra, deixa de ser passiva que, no caso, é a hora da sua morte.      ...

O Realismo em " Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis

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         É notório afirmar que Machado de Assis é o patrono da Literatura Brasileira, além da sua grande contribuição para o processo cultural do Brasil. Apesar de ser um autor polêmico para alguns, para outros, o escritor trouxe uma nova forma de escrita , fugindo do modelo francês seguido em seu tempo e o tornando-o um escritor atemporal. Exemplo disso é uma das suas obras-primas, “M emórias Póstumas de Brás Cubas”.         Nela, é contada em primeira pessoa, a vida de “Brás Cubas”, narrada pelo próprio protagonista (defunto-autor). Com isso, percebemos o cotidiano e o cenário do Rio de Janeiro no fim do século XIX, revelando as mazelas da sociedade da época, como a hipocrisia, o adultério e a vaidade, por exemplo, onde constituímos o perfil psicológico a partir das informações dadas do protagonista pretencioso e debochado, ou seja, uma obra realista.         ...

A fome em "Quarto de despejo", de Carolina Maria de Jesus

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        Se fosse para exemplificar com uma palavra a luta de Carolina, seria a fome. Um livro angustiante, triste e revoltante, entretanto, é necessário ser lido, seja para apreciar a escrita da autora, ter consciência de classe ou um conhecimento do Brasil pela perspectiva de uma mulher negra e pobre na década de 50.          Escrito em formato de diário, a obra que é considerada um best-seller retrata um Brasil desigual, faminto e sem dignidade. Além disso, o livro é redigido em primeira pessoa onde encontramos um enredo altamente autobiográfico, revelando-se as mazelas do dia a dia de uma mulher da favela com seus três filhos – João, José e Vera. Além disso, na escrita de  Carolina denuncia e expõe o cotidiano, a falta de infraestrutura e a vida indigna dos moradores da favela do Canindé.        Ademais, é importante ainda deixar claro o apagamento de Carolina diante à história que, apesar de...

Questões de gênero e raça em "Clara dos Anjos", de Lima Barreto

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    É inevitável que Lima Barreto teve e tem grande importância na literatura brasileira. Além disso, uma das principais características dos escritos do autor é a abordagem acerca de problemas sociais que estavam presentes no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, com por exemplo, a indignidade dos subúrbios, corrupção e racismo, o que torna o autor um importante escritor brasileiro, apesar de ter sido apagado em sua época.        Posto isso, o romance "Clara dos Anjos" publicada postumamente como livro conta a história de uma jovem negra e pobre, moradora de um subúrbio do Rio de Janeiro. A partir desse contexto, somos levados a rotina de Clara e, com isso temos uma hipótese com era difícil ser mulher negra em uma sociedade patriarcal e extremamente racista. Para mais,  podemos perceber uma cidade cheia de violência e desigualdades, onde há uma divisão entre uma burguesia cheia de privilégios em contrapartida ao apagamento da pop...

A descolonidade em "Úrsula", de Maria Firmina dos Reis

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“A mente ninguém pode escravizar”       Não teria como não falar de Maria Firmina dos Reis aqui no Blogger.   Mulher além do seu tempo que foi educadora e escritora maranhense do século XIX, enfrentando vários tipos de preconceitos. Seu principal romance, “Úrsula” seria um marco na história já que foi o primeiro enredo escrito por uma mulher negra dando voz à personagens negros na Literatura.      O romance, de cunho abolicionista é baseado em uma história de amor bastante romanesca – escrita bem comum na época. Entretanto, ao meu ponto de vista, o enredo não tem tanta importância em comparação ao lugar de fala e representatividade da obra visto que traz uma visão não eurocêntrica inaugurando a literatura afro-brasileira.  Você não pode deixar de ler !!! -Lembrando que a missão do blog é  introduzir leituras por pequenas percepções de leitura. UM LIVRO QUE DEVE SER LIDO E RELIDO. Abraços e até a pró...

O surreal em " Cem Anos de Solidão", de Gabriel Garcia Márquez

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      Sem dúvidas, a obra “Cem anos de solidão” foi uma das melhores leituras concluídas. O livro, escrito pelo romancista colombiano Gabriel Garcia Márquez, traz um enredo surreal, fascinante e mágico que, por consequência revela uma sensação de está lendo o imaginário de alguém como se fosse um sonho. Entretanto, a narrativa é muito próxima do real, com isso, o romance é classificado pelo gênero realismo-fantástico apesar do próprio Gabo não gostar muito dessa definição.       Além disso, nos deparamos com uma linguagem metafórica e bastante poética contribuindo assim na catarse ao ler o livro. Ademais, pode-se dizer de uma forma geral, que o enredo trata-se da triste e inexplicável história da família Buéndia, onde Gabo majestosamente cria personagens complexos e independentes   - até mesmo os secundários - apesar de todos eles terem laços de sangue. E a partir disto, a história é desenvolvida cheia de temas históricos, sociais, econô...