A fome em "Quarto de despejo", de Carolina Maria de Jesus




        Se fosse para exemplificar com uma palavra a luta de Carolina, seria a fome. Um livro angustiante, triste e revoltante, entretanto, é necessário ser lido, seja para apreciar a escrita da autora, ter consciência de classe ou um conhecimento do Brasil pela perspectiva de uma mulher negra e pobre na década de 50.

        Escrito em formato de diário, a obra que é considerada um best-seller retrata um Brasil desigual, faminto e sem dignidade. Além disso, o livro é redigido em primeira pessoa onde encontramos um enredo altamente autobiográfico, revelando-se as mazelas do dia a dia de uma mulher da favela com seus três filhos – João, José e Vera. Além disso, na escrita de  Carolina denuncia e expõe o cotidiano, a falta de infraestrutura e a vida indigna dos moradores da favela do Canindé.
       Ademais, é importante ainda deixar claro o apagamento de Carolina diante à história que, apesar de ter sido uma mulher além do seu tempo, e ter conseguido publicar sua obra em vida, saindo da favela, sua obra não fez tanto sucesso na época publicada.
       Para finalizar, existe algo fascinantemente belo no manuscrito de Carolina, além da escrita: o amor pelos filhos e pelos livros. Apesar de tudo lhe mostrar o contrário, ela acreditou na força das palavras.  


-Lembrando que a missão do blog é  introduzir leituras por pequenas percepções de leitura. UM LIVRO QUE DEVE SER LIDO E RELIDO.


Abraços e até a próxima!


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